Crise de lá vem pra cá?
Fuente  O Popular p. 1,4,5,6
Autor  Redacción
Fecha de Edición  11/09/2011
Fecha de Captura  14/09/2011
Página/Sección  1,4,5,6 / 
Género  Nota Informativa
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Crise de lá vem pra cá?

De tempos em tempos, o mundo passa por um momento de crise financeira. Hoje, a situação tem apenas uma diferença, o país afetado é a maior economia do mundo, os Estados Unidos.

Imagine um trem carregado, andando a toda velocidade nos trilhos. De repente, o trem começa a frear, os vagões logo atrás, claro, também vão diminuindo a velocidade. Bom, o trem da nossa história são os Estados Unidos, e os vagões são todos os outros países, inclusive o Brasil. Lá, nos Estados Unidos, o governo teve de se endividar muito para recuperar o país de outra crise, que ocorreu em 2008. E, agora, é necessário pagar parte dessa dívida, só que os Estados Unidos não têm dinheiro.

Resultado: têm de pegar mais, emprestado.

Pense bem: se eles ainda nem pagaram a dívida antiga, já querem fazer outra? Nesse caso, você emprestaria dinheiro para os Estados Unidos É, nem eu. E é isso o que está acontecendo. Com medo do calote, os investidores estão retirando seus negócios do mercado financeiro e por esse motivo as bolsas de valores caem.

O governo dos Estados Unidos tem uma dívida de cerca de 14,3 trilhões de dólares. É muito dinheiro! Para resolver o problema, pelo menos por enquanto, os norte-americanos fizeram um acordo para evitar o calote e acalmar os investidores. E, por esse acordo, o país vai ter de cortar gastos. Ou seja, economizar.

0 que isso tem a ver com você

Como os Estados Unidos são uma grande economia, uma crise por lá afeta o mundo todo. Como? Simples. Eles compram produtos de vários países e, se vão começar a cortar os gastos, vão parar ou diminuir a importação de vários produtos. Aí, a crise vai passando para outros países, que ficam sem vender seus produtos, sem ganhar dinheiro.

Por isso, o Brasil também tem de ficar alerta. Hoje, estamos em uma situação bem melhor do que em tempos passados e dependemos menos do que acontece lá fora. Isso porque a economia no Brasil está aquecida. Significa que muitas empresas estão investindo aqui, que muitas obras estão sendo tocadas no País e que novas vagas de emprego estão surgindo. Mas, mesmo assim, como vivemos em um mundo em que tudo está conectado- é o que chamam de mundo globalizado - é melhor ficar esperto e ter mais cuidado.

Estados Unidos dentro do meu bolso

Assim como um país faz dívidas, as pessoas também fazem. Não importa se a diferença de valores é grande, o jeito de se livrar do problema ou de não se endividar é basicamente o mesmo. A principal lição é: não gaste mais do que você ganha.

Esse é um aprendizado que podemos praticar desde cedo. Luca Costa Naves, 10 anos, conta que, depois que recebe a mesada dos pais, costuma não sair por aí carregando todo o dinheiro. "Coloco só uma parte na carteira porque, se eu estiver no shopping, por exemplo, vou acabar gastando tudo", assume. Essa tática permite que Luca sempre tenha algum dinheiro guardado.

Uma das grandes qualidades de quem sabe poupar é planejar, olhar para o futuro. Com o que junta da mesada, Luca tem conseguido fazer um bom investimento. "Passo tudo para o meu avô e ele compra boi para mim. Já tenho seis".

O investimento na pecuária é para o futuro. Por enquanto, Luca ainda não viu a cor do dinheiro. "Mas é lá para a frente, quando eu puder ter umas cem cabeças de gado", informa.

Além de poupar pensando no futuro, você também pode fazer um planejamento a curto prazo para comprar alguma coisa que deseja. Por exemplo, Henrique Vieira Prado, 9 anos, está juntando dinheiro da mesada para adquirir uma bateria.

O garoto também já usou a mesada para comprar um brinquedo, mas acabou fazendo um empréstimo com o pai. "Faltaram 9 reais para completar o valor, aí meu pai descontou a quantia no mês seguinte", conta.

Anna Luiza Oliveira Robson, 10 anos, confessa que, às vezes, gasta toda a mesada e ainda pega mais algum complemento com os pais. "Acaba que fica por isso mesmo e, depois, nem pago", diz.

Mas a garota também tem um investimento para o futuro. Os pais de Anna juntam, todo mês, uma quantia que poderá ser usada em alguns anos. "Tenho de passar no vestibular em uma universidade federal, senão o dinheiro irá para a educação", conta.

Aleksander Dobrianskyj Filho, 10 anos, também recebe mesada. Certa vez, ele gastou tudo de uma vez só, em uma viagem. Mas, geralmente, consegue se controlar.

Quando vai ao supermercado com a mãe, Aleksander não fica pedindo tudo o que encontra pela frente. Afinal, do mesmo jeito que você precisa controlar a mesada para não ficar sem dinheiro, seus pais também têm de regular os gastos da casa. Imagina se falta dinheiro para pagar a conta de luz ou o gás? Isso não pode acontecer, certo? "Quando quero, compro alguma guloseima com o meu dinheiro no supermercado", afirma Aleksander.

Educação financeira para a galera

Você sabe o que é educação financeira? Ricardo Pereira é fera no assunto. Ele é educador financeiro e participa de um blog na internet chamado Consumidor Consciente. "Essa é a forma mais inteligente de conseguir realizar seu sonho de consumo sem se endividar", explica.

Ricardo conta que a melhor época para começar a aprender educação financeira é ainda na infância. A filha do consultor tem 6 anos e já começou a aprender a lição. "Ela tem um cofrinho em que junta moedas. Depois de um ano, quando chega seu aniversário, ela quebra o cofrinho e pode comprar um presente", conta.

O consultor dá uma dica para a galera: fique ligado na matemática! Isso mesmo. Ricardo explica que essa é a matéria mais importante para quem quer se dar bem nas finanças. "E ela que vai ajudar você a realizar o seu sonho", diz.

As vezes, é difícil juntar dinheiro porque você sempre se depara com ofertas de produtos legais. Por exemplo, você está tentando juntar dinheiro e vê o comercial de um brinquedo novo na TV. Dá aquela vontade de ir lá e comprar... "Mas nessa hora você tem de pensar se realmente precisa daquele brinquedo novo ou se é só uma empolgação por causa da propaganda", ensina Ricardo.

Então, você já sabe: antes de sair por aí gastando dinheiro, é importante pensar bem. Você pode realizar seu sonho de consumo, mas precisa entender que nem sempre é possível fazer isso na hora.

A crise deles e o nosso pastel

Wilsinho e Talison voltavam da escola. Desceram do ônibus e, antes de ir para casa, resolveram comer um pastel com refri. Na pastelaria, a TV gritava, no plantão: "Bolsa desaba 8,7°/o, dólar dispara, empresas pedem concordata, banco faliu... É CRRRRRISSSE..."

Ninguém na pastelaria deu bola. Ficou do jeito que estava. Pastel na panela de óleo, refrigerante no copo, uma mosca gorda fazendo zum-zum-zum, o tio cocando o nariz e limpando os óculos.

De novo, outro plantão: "0 presidente Obama vai falar à nação americana", diz a tensa apresentadora.

- Ih... é guerra!, comentou Talison.

- Será , perguntou Wilsinho.

- Não é, não, meninos. É crise, disse o tio.

- Crise? Igual no Vasco, quando o time tá mal e demite o técnico , quis saber Talison.

- Não. Muito pior. É na economia, respondeu a tia.

- Com esse tanto de gente comprando carro, roupa, apartamento, viajando? Não tem crise alguma, decretou Talison.

- Mas é nos Estados Unidos, menino, reforçou a tia.

- Ah. Meu pai disse que essa crise é conv... (parou de falar e, como todo mundo, arregalou os olhos no rumo da televisão).

Nessa hora, Barack Obama colocou uma perna para fora da TV, depois a outra, o resto do corpão magrelo, e saiu inteiro do aparelho.

Todos ficaram de boca aberta.

- Um pastel, tia. De queijo, pediu o presidente americano.

- Ou, é... Hum... Você é o Obama , perguntou Talison.

- Yes, boy. Ah! É o seguinte, vou falar em português pra facilitar. Sou eu mesmo.

- Mas você não deveria estar lá, cuidando da crise , perguntou o menino.

- Deu fome, garoto. Herdei essa crise toda do Bush. Todo mundo lá vivia de dinheiro emprestado. Uma hora ia dar problema. Deu. Muita gente quebrou, muita empresa quebrou. A crise é igual dominó. Começou nas famílias, derrubou empresas, bancos, abalou o governo, passou para outros países, até, depois do estrago, dar uma equilibradinha. Pensei que tinha acabado. Meu governo gastou uma fortuna gigante para equilibrar. Agora, que o governo está apertado, a crise volta.

- Não, o problema é outro. Quem tem dinheiro não quer gastar, com medo da crise, de perder o emprego. Se quem tem

- 0 povo pegou dinheiro emprestado de novo , perguntou a tia do pastel.

- Não, o problema é outro. Quem tem dinheiro não quer gastar, com medo da crise, de perder o emprego. Se quem tem não gasta, o comércio não vende, a indústria produz pouco, a economia não gera emprego. Tem gente lá desempregada há cinco anos. É triste. Quem tem dinheiro, não quer gastar e isso faz a economia entrarem recessão.

- Quer outro pastel , perguntou o tio, marido da tia. E o Brasil, vai terproblema , emendou.

Quero, de carne, disse Obama, abatendo a mosca com uma mãozada. 0 Brasil está bem. Está ok. Mas uma crise é como dominó. Vai derrubando tudo que vê pela frente. Por enquanto podem ficar tranqüilos, o dominó com a bandeira do Brasil está mais no fim da fila. Só vai ser afetado, se for, mais à frente. Aqui o povo compra, o comércio vende, a indústria produz. Aqui se vende pastel, lá não vende, perde tudo. O problema aqui é o governo, que gasta muito mais do que arrecada, mas isso não é problema meu. Tenho de ir embora... Tia, tio, meninos! A senhora pendura a conta aí, estou sem dinheiro agora. Thankyou. Bye bye, boys, disse o presidente americano já levantando a pernona.

Subiu no balcão e, pela parte de cima, engarranchou-se na TV, puxando o resto do corpo. Tava lá, 10 minutos depois, lançando um pacote de medidas anticrise.